Queremos convidar você a fazer uma viagem, uma viagem mágica, por diversos países, culturas, hábitos, épocas, onde sua imaginação quiser e você se permitir...

Viajar pelas páginas de nossos livros, por vários gêneros, escritores anônimos e ilustradores e também os ilustres escritores: romances, aventuras, comédias, mistérios, épicos, auto-ajuda, poéticos, didáticos... toda leitura faz o ser humano conhecer, abranger, crescer...

Neste blog vamos divulgar, sugerir, incentivar, um espaço para interagir com você, que vai ser nosso seguidor ou dar apenas uma espiadinha, mas será sempre bem-vindo, como aquele amigo que senta para tomar um café e conversarmos sobre aquelas páginas de um livro que mais nos marcou, ou aquele que estamos lendo no momento, então fica aqui nosso convite, entre no nosso blog, tome um café, enquanto passeia pelos nossas postagens, interaja conosco sempre, estamos aqui na rede aguardando a sua chegada.


Abraços literários.


Aparecida




Vamos trocar idéias, opiniões, interagir?

Tem algum comentário ou sugestão para fazer?

Escreva para nós no e-mail: cafecomleituranarede@gmail.com


Loja Virtual

A loja virtual "Café com leitura na rede" está a todo vapor, e convidamos você a visitar nossa loja, lá lhe aguardam ótimos preços, opções para todos os gostos e um atendimento muito, muito especial e amigo.

Acesse agora mesmo:


Abraços


Equipe Café com Leitura na Rede.



domingo, 15 de abril de 2018

As Asas do Desejo-


                                                                             


O filme começa com o anjo Damiel no alto da Gedachtniskirche, igreja berlinense bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial (e mantida em ruínas após o conflito como símbolo histórico) olhando a humanidade, numa antítese do anjo que vê dos céus os homens e sua destruição.
Nos primeiros minutos a câmara (subjetiva, que simula o olhar de um personagem) está no alto, vendo lá embaixo a cidade, e nós vemos o mesmo que os anjos veem.
E eles descem à Terra, caminham entre nós, estão nos carros, trens, bus e metrô, ouvem nossas súplicas e (principalmente) nosso silêncio e observam tudo (e às vezes intervêm).
Numa época dividida (literalmente) pelo muro, e pela guerra fria, ideologias, economia, política insegurança, dores e saudades, num cenário devastado e pessoas oprimidas, os anjos Damiel e Cassiel tentam consolar.
A relação entre os anjos e os humanos é enriquecida pelo fluxo de consciência (stream of consciousness, técnica literária que usa associação de ideias; raciocínio lógico e impressões pessoais) e está presente na cena em que Damiel tenta aplacar o desespero de um homem acidentado e na que Cassiel tenta evitar o suicídio de um rapaz, que pula do prédio, apesar dos seus esforços.
Ainda que a ambientação remeta à política o diretor fala sobre humanos – e anjos. E se os anjos de Wim Wenders estão em Berlim é porque era a metrópole do país do cineasta. O muro dividindo a cidade não importa, para os anjos, a cidade dividida em duas é uma só, e Berlim, mais do que cenário é um personagem.
As Asas do Desejoé um filme reflexivo que observa a vida, a passagem do tempo, a consciência a respeito de si, a descoberta da própria identidade e o existencialismo.
Os anjos reconhecem as dores mais profundas da humanidade e imaginam reações, mas não são capazes de sentir as alegrias e a materialidade, nem podem experimentar o amor, que Damiel começa a sentir por Marion. Em uma conversa com Cassiel ele revela seu desejo de se tornar humano e experimentar um mundo, como ele mesmo diz: de poder “achar” em vez de saber.
Se na sociedade racional não acreditamos mais em anjos, então eles não existem.
Se existem, são infelizes. Se são infelizes, merecem ser salvos sendo reconduzidos à condição de mortais para então receberem a graça de ter um anjo em suas vidas :p
Na Alemanha,  Der Himmel über Berlin, O Céu Sobre Berlim, o título original.
Em todo o mundo, As Asas do Desejo, sem dúvida exprime o plot: anjos que desejam e Asas do desejo é um longo voo.
O divino e o humano estão presentes na cena em que Damiel e Cassiel estão na biblioteca pública de Berlim num travelling (movimento de câmera em que ela se desloca no espaço ao contrário da panorâmica em que ela gira sobre o próprio eixo sem se deslocar) em que a câmera não para um instante passeando por todo o local, enquanto as pessoas leem, com os anjos ao seu lado, mistura dos mundos, numa referência ao conhecimento, maneira com a qual os homens vivem na posteridade.
O desejo de Damiel para se tornar humano é atendido e o anjo caído descobre a primeira dor humana ao ser atingido na cabeça por um objeto e sente fome pela primeira vez.
A fotografia, até então em preto e branco, se transforma cheia de cores com todos os tons da vida.
Wim Wenders nos mostra que enquanto muitos de nós queremos mais do que o tempo que nos foi dado para viver, alguns anjos, cansados da eternidade, gostariam mesmo era provar o gosto de um café, um aperto de mão, um abraço, e claaaaaaaro, o amor.

Premiado em Cannes, e considerado um dos melhores da década de 80, o filme tem força e beleza que instauram uma atmosfera de mistério absoluto.

Agradeço ao Hugo, do blog Cinema – Filmes e Seriados (aqui) pela indicação.
Uma aula de cinema, de história e  existencialismo.
Assistam, quem se envolve na sua poetice, sempre irá recordar-se dele.


Abraços Literários e até a próxima.



sexta-feira, 6 de abril de 2018

Perfeitos Desconhecidos-


                                                                         


"Perfeitos Desconhecidos" dirigido por Paolo Genovese tem um enredo atual que fala sobre como lidamos com as redes sociais e especificamente sobre segredos que algumas pessoas guardam em seus celulares.
A película prega que todos temos três vidas: uma pública, uma privada e uma secreta.
Tendo como ponto de partida a frase acompanhamos um jantar, onde se encontram sete amigos: Eva (Kasia Smutniak), Rocco (Marco Giallini), Cosimo (Edoardo Leo), Bianca (Alba Rohrwacher), Lele (Valerio Mastandrea), Carlotta (Anna Foglietta) e Peppe (Giuseppe Battiston) numa noite que tinha tudo para ser agradável: um eclipse lunar, uma farta refeição italiana, um bom vinho e uma boa conversa.

                                                                                 


Só que ao conversarem sobre um amigo ausente que se divorciou devido a uma mensagem recebida de uma amante, surge a ideia de um jogo da verdade revisitado, onde todos deixam seus celulares na mesa para compartilharem as mensagens e ligações que ocorrerem durante o jantar, mostrando assim que não têm nada a esconder. Alguns oferecem resistência, mas para não se comprometerem todos concordam e, a partir daí, estão obrigados a lerem qualquer mensagem recebida em voz alta e atender chamadas no viva voz.
Afinal, ninguém tem nada a esconder. (Ou tem?) Sua vida é um livro aberto? Sua família, parceiro e amigos, você os conhece realmente? Ou conhece apenas o que eles tornam público, já que o nosso interior é território que só nós adentramos?
E o que era de se esperar acontece: a cada ligação atendida e mensagem lida, um segredo é revelado.
O filme é um drama com humor negro e roteiro muitíssimo bem construído, elaborado com ótimas tiradas, grandes sacadas, momentos constrangedores, clima pesado e desconforto.
Com interpretações impecáveis, diálogos ácidos e sarcasticamente bem estruturados, narrativa ágil e muitos segredos, o filme diverte e faz uma crítica inteligente sobre como a tecnologia interfere nas relações, na divisão de atenção entre o real e as interações virtuais, além de mostrar o quão vulneráveis somos, confiando na "caixa preta", como um dos personagens define o celular.
Tem coisas que você não diz, não são grandes segredos, mas pequenas informações que preferimos omitir. E o que não dizemos pode, em hipótese, dizer mais sobre nós do que o que aquilo que tornamos público na nossa caixa preta. Até que ponto vale a pena conhecer todos os segredos de alguém? Se fôssemos obrigados a compartilhar absolutamente tudo, as relações continuariam as mesmas? Até onde nossa privacidade está protegida?
Todo filmado em um único cenário, o que lembra uma peça de teatro, “Perfetti Sconosciuti”, figura entre um dos melhores filmes do gênero que assisti!

Abraços literários e até a próxima.

.

sábado, 31 de março de 2018

Feliz Páscoa-


                                                                            


A Páscoa é uma das datas comemorativas mais importantes entre as culturas ocidentais.
O termo “Páscoa” tem uma origem religiosa que vem do latim Pascae.
Na Grécia Antiga, este termo também é encontrado como Paska, porém sua origem mais remota é entre os hebreus, onde aparece o termo Pesach, cujo significado é passagem.
Historiadores encontraram informações que levam a concluir que uma festa de passagem era comemorada entre povos europeus há milhares de anos, principalmente na região do Mediterrâneo, algumas sociedades, entre elas a grega, festejavam a passagem do inverno para a primavera, durante o mês de março. Geralmente, esta festa era realizada na primeira lua cheia da época das flores. Entre os povos da antiguidade, o fim do inverno e o começo da primavera eram de extrema importância, pois estava ligado a maiores chances de sobrevivência em função do rigoroso inverno que castigava a Europa, dificultando a produção de alimentos.

Entre os judeus, a data marca o êxodo deste povo do Egito, por volta de 1250 a.C, onde foram aprisionados pelos faraós durante muitos anos. A Páscoa Judaica também está relacionada com a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho, onde liderados por Moisés, fugiram do Egito, passando da escravidão à liberdade. Nesta data, os judeus fazem e comem o matzá (pão sem fermento) para lembrar a rápida fuga do Egito, quando não sobrou tempo para fermentar o pão.

Entre os cristãos, esta data celebrava a ressurreição de Jesus Cristo, passagem da morte à vida eterna (quando, após a morte, sua alma voltou a se unir ao seu corpo). O festejo era realizado no domingo seguinte a lua cheia posterior ao equinócio da Primavera (21 de março). A semana anterior a Páscoa é considerada como Semana Santa. Esta semana tem início no Domingo de Ramos que marca a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém.

A figura do coelho está simbolicamente relacionada a esta data comemorativa, pois este animal representa a fertilidade. O coelho se reproduz rapidamente e em grande quantidade.
Entre os povos da antiguidade, a fertilidade era sinônimo de preservação da espécie e melhores condições de vida, numa época onde o índice de mortalidade era altíssimo.
O coelho representa simbolicamente o nascimento e a esperança de uma nova vida.
Mas o que a reprodução tem a ver com os significados religiosos da Páscoa?
Tanto no significado judeu quanto no cristão, esta data relaciona-se com a esperança de uma vida nova.
Já os ovos de Páscoa, de chocolate ou enfeites, também estão neste contexto da fertilidade e da vida.

Então, independente de qual seja sua religião, ou se você não tem uma, vamos aproveitar a data para renovar as esperanças em uma vida recheada de doçura?????????

Uma Feliz e Abençoada Páscoa!

Abraços Literários, beijos doces e até a próxima.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Criaturas & Criadores: Histórias para Noites de Terror


                                                                            


A edição de "Criaturas & Criadores: Histórias para Noites de Terror", linda com sua capa dura roxa e ilustrações em cobre metalizado é uma coletânea de contos que apresenta caprichadas releituras inspiradas em quatro consagradas obras da literatura de terror em versão nacional.

A Criatura, de Raphael Draccon, nos apresenta Elizabeth, uma repórter que acostumada a publicar furos de reportagem em seu canal no YouTube não se abala com os lugares que precisa visitar, nem que seja uma comunidade cercada por homens armados. Seu objetivo ali: desvendar os mistérios do Dr. Victor, responsável pela criação de um monstro que aterroriza até os soldados bem treinados do BOPE.
Um conto bem elaborado com início, meio e fim, e bons personagens numa contextualização instigante onde é possível visualizar cada cena narrada.

Conde de Ville, de Carolina Munhóz – Com bloqueio criativo, Elizabeth já perdeu todos os prazos de seu editor. Não importa o que ela faça, não consegue finalizar o seu próximo conto de terror.
Até que vai à nova, badalada e trevosa boate da cidade que tem uma decor gótica e um proprietário misterioso que alguns frequentadores nunca viram.
Mas Beth consegue conhecer V. em sua primeira visita.
Esse conto, que foi o que menos gostei, tem uma protagonista que não ganha a empatia do leitor, um final estranho, um enredo previsível e até um início que confunde já que o nome da protagonista é o mesmo da primeira história hihihi

Em Por Trás da Máscara, de Frini Georgakopoulos, conhecemos Cristine que está realizando o sonho construído por ela e seu pai. Mas agora que ele nunca mais verá suas apresentações, sua alegria de cantar morreu e ela pode perder a conquistada vaga no importante instituto de música. Uma lenda diz que a voz perfeita conseguirá a ajuda do fantasma do professor mais exigente do instituto se cantar para ele em meio aos escombros do teatro abandonado.
Por mais inusitada que a ideia possa ser, Cris decide arriscar e descobre que seu sonho pode se tornar um pesadelo.
Nesse que é o conto mais longo da antologia, e o que mais gostei, narrativa, personagens e final me agradou muitíssimo, surpreendeu e garantiu suspiros.

O Sorriso do Homem Mau, de Raphael Montes
- Pablo é um profissional respeitado e feliz em seu dia a dia como marido, pai e dentista, quando começa a criar hábitos estranhos e partes do seu dia são apagados de sua memória, como se nunca tivessem acontecido. O que ele faz nesses momentos é algo do qual ninguém se orgulharia.
O autor presenteia os leitores com uma versão estendida de um de seus primeiros trabalhos, com um desenvolvimento arrepiante da história assim como seu desfecho tenso.

Acho que mesmo quem não gosta do gênero pode se interessar pelo livro já que as narrativas da obra não são exaaatamente de terror, mas descrevem a capacidade do homem em fazer o mal, e isso sim é assustador.

Abraços Literários e até a próxima.


terça-feira, 27 de março de 2018

Horror na Colina de Darrington-


                                                                               


Sinopse- Em 2004, Benjamin Simons deixa o orfanato em que viveu desde a infância para ajudar seus únicos parentes num momento difícil: com a tia debilitada e o tio trabalhando dia e noite, precisavam de alguém para tomar conta de sua prima Carla, de apenas cinco anos de idade.
No entanto, certa madrugada, a tranquilidade da colina de Darrington é interrompida por um estranho pesadelo que a cada minuto vai tomando formas reais. Logo, Ben descobre-se preso numa casa que abriga mistérios, onde o inferno parece próximo e o mal possui força evidente.
Isso tudo aconteceu quando Ben estava com dezessete anos, e foram experiências das quais ele preferia esquecer completamente…
Passaram-se dez anos, mas aquele pesadelo o acompanha de perto. Ben sente que precisa voltar e sabe que, ou desvenda tudo ou sempre viverá com medo. Então, ele decide contar, e traz numa narrativa angustiante e rica em detalhes tudo o que viveu e todas as batalhas impensáveis que travou para tentar manter a si próprio e a prima em segurança. E se descobre no centro de uma conspiração capaz de destruir sua própria sanidade.

                                                                                 


Horror na Colina de Darrington é o livro de estreia do brasileiro Marcus Barcelos, que possui mais de um milhão de leituras no Wattpad. Na obra que se passa em South Hampton, EUA, ele cria uma trama no estilo norte-americano de terror, não tão comum por aqui, com muitas cenas de horror distribuídas ao longo de doze capítulos e 142 páginas.
A sinopse entrega praticamente tudo, Benjamin é um órfão de 17 anos que sempre viveu no Orfanato St. Charles e que após o pedido de seu tio para ajudá-lo a cuidar da filhinha de cinco anos, se muda para a casa localizada na colina de Darrington.
A casa é estranha, esconde segredos sombrios, fazendo com que ele tenha visões assustadoras e logo se vê às voltas com uma conspiração ligada a elementos com sede de poder, envolvendo pessoas influentes e o sobrenatural.
Como os fatos são narrados em primeira pessoa, pelo próprio Ben, dez anos depois que aconteceram, a “verdade” fica nublada – estaria ele sendo fiel aos fatos ou imaginando coisas?
A certa altura, o próprio leitor se questiona se tudo aconteceu mesmo ou é ilusão de sua mente imaginativa.
O livro é curtinho e a leitura rápida intercalando presente e passado mostrando um pouco da história do protagonista e da casa antes do ocorrido.
No início dos capítulos, há prontuários, documentos, registros telefônicos e matérias de jornal que recapitulam o que irá ser revelado fazendo o leitor ligar os pontinhos no final.

                                                                             


A capa em alto-relevo é linda, a diagramação impecável, as folhas amarelas tornam a leitura confortável e as ilustrações de Thomaz Magno garantem a atmosfera sombria.

Não falta nada nem tem pontas soltas, masssssss achei mais ou menos, fiquei com uma sensação de déjà-vu, como se o autor tivesse se inspirado em váááááárias histórias conhecidas.
De qualquer maneira acho que os amantes de terror vão gostar do livro.

Abraços Literários e até a próxima.


domingo, 25 de março de 2018

A Casa do Lago-

                                                                         


Sinopse- A casa da família Edevane está pronta para a festa do solstício de 1933.
Alice, uma jovem e promissora escritora, tem dois motivos para comemorar: ela criou um desfecho surpreendente para seu primeiro livro e está secretamente apaixonada.
Porém, à meia-noite, enquanto os fogos de artifício iluminam o céu, os Edevanes sofrem uma perda devastadora que os leva a deixar a mansão para sempre. 
Setenta anos depois, após um caso problemático, a detetive Sadie Sparrow é obrigada a tirar uma licença e se retira para o chalé do avô na Cornualha. Certo dia, ela se depara com uma casa abandonada rodeada por um bosque e descobre a história do bebê que desapareceu sem deixar rastros. A investigação fará com que seu caminho se encontre com o de uma famosa escritora policial. Já uma senhora, Alice Edevane trama a vida de forma tão perfeita quanto seus livros, até que a detetive surge para fazer perguntas sobre o seu passado, procurando desencavar uma complexa rede de segredos da qual ela sempre tentou fugir.

                                                                              


Jurava que esse livro tinha como referência A Casa do Lago, filme de 2006, estrelado por Sandra Bullock e Keanu Reeves (que eu ameeeeei, apesar da atmosfera melancólica) e que é uma refilmagem do filme sul-coreano de 2000, Siworae Il Mare. Não é ://
   
                                                                          


A obra de Kate Morton é o típico livro que conta com minucioso processo de criação.
A narrativa tem, início em 1910, passa para 1930 e salta para 2003, nos apresentando os diferentes costumes sociais que caracterizam cada época.
O enredo é construído em cima do misterioso desaparecimento de um bebê, filho caçula da família Edevane. Parte da história é mostrada através da filha do meio do casal Edevane, Alice, uma jovem imaginativa que dedica seu tempo a criar histórias.
A segunda parte acontece setenta anos depois, quando a detetive Sadie toma conhecimento do caso, nunca solucionado, e decide investigá-lo.
A partir daí, a autora alterna passado e presente em um intricado quebra-cabeças, criando um labirinto em torno do mistério.
Pontos de vista de cada envolvido são apresentados, e assim conhecemos as biografias, as motivações e os segredos de cada um.
No presente, a obsessão da detetive Sadie pela história se mescla a um caso mal resolvido dela própria, criando uma trama paralela à principal.
Só que a autora é tão imaginativa quanto sua personagem Alice, e elaborou tantos detalhes, interligações e segredos que a história ficou cansativa. O excesso de detalhes (o mínimo dos mínimos dos detalhes :p) faz de A Casa do Lago um livro que não instiga nossa curiosidade para virar as páginas buscando pelo desfecho.
Outra questão é o tanto de reviravoltas que em vez de deixar o leitor sem fôlego se acumularam parecendo que você está lendo vários livros em um só, inclusive o desfecho tem uma pegada de dramalhão.

Fãs de thrillers e suspenses certamente não vão cair de amores pela leitura, masss para leitores que gostam de narrativas com segredos familiares, dramas e amores mal resolvidos, o livro é uma opção.

Abraços literários e até a próxima.


sexta-feira, 23 de março de 2018

Extraordinário- Livro e filme


                                                                             


TBR, abreviação de To Be Read, que é a nossa Lista Para Ler. Para dar cabo daqueles livros acumulados nas prateleiras esperando para serem lidos e que vão sendo sistematicamente deixados para o finalzinho da lista ou abandonados e ter a oportunidade não só de variar de gênero (siiiiiiiiim ultimamente só tenho lido thrillers policiais, psicológicos, investigativos, suspense e terror rsrs), mas de gostar de romance, drama, aventura, ação, chick-lit e hots.

Hoje é a vez de “Extraordinário” que praticamente dispensa apresentações. Em algum momento você já ouviu falar do garotinho Auggie Pullman que nasceu com uma deformidade facial e que pela primeira vez frequentará uma escola como qualquer criança de sua idade. De J.R.Palacio a história tem uma legião de fãs e faz parte da leva de obras que tratam o início da adolescência com questões mais sérias.
Recebi o livro há uns quatro anos e não sei porque não li. Talvez porque achei que fosse sobre “doença”. Não é!

                                                                            

                                                                                
O filme é dirigido por Stephen Chbosky (As vantagens de ser invisível) que também é responsável pelo roteiro. Há uma identificação imediata e uma relação de empatia que mistura mensagem edificante e processo de amadurecimento do protagonista, mas o mais interessante é que não é didático nem apelativo, não há exploração da doença, o grande acerto aqui é o compartilhamento de sentimentos comuns. O afeto entre obra e público não está relacionado a condição física do personagem, não há estereótipo e sim a humanização, afetividade, imaginação e humor numa combinação levinha (que faz chorar de mansinho em alguns momentos)
Mais interessante ainda é ter outros pontos de vista em sincronicidade. Estratégia narrativa que funciona bem, já que todo fato ganha força quando vista por outros pontos de interpretação. Além disso, evidencia que essa fase não é complicada apenas para Auggie que tem sua diferença estampada na face, mas também para sua irmã Via, para a amiga Miranda, o melhor amigo JackWill ... num belíssimo mosaico de vidas.
Elenco alinhado, começando pelo talentoso Jacob Tremblay (O Quarto de Jack) que demonstra seu carisma saindo-se muito bem, assim como todo o elenco infantil;  Julia Roberts que num jogo de olhares vive as preocupações de todas as mães que sabem não poderem ser onipresentes; a irmã Via, interpretada por Izabela Vidovic, melancólica adolescente construída com sutileza em arcos mais complexos. Aliás, todos os personagens secundários estão perfeitamente inseridos e alinhados com extraordinária qualidade, com o perdão do trocadilho.
Um roteiro que foge do retrato simples da criança com suas diferenças enfrentando um mundo hostil, e que poderia facinho ser um clichê sobre bullying ou um drama pesaroso, mas apesar das frases de efeito e dos finais felizes, traz em uma estrutura como capítulos de livro, uma boa e realista composição dos novos adolescentes com virtudes e problemas comuns e inerentes a essa geração se tornando uma obra interessante e reflexiva que vale a pena ser conferida.

Abraços Literários e até a próxima.